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ASGARDH, hell and heaven
| Deuses Indianos e outras divindades |
| Sexta-feira, Dezembro 25, 2009 |

Ganesha
Ganeshasignifica “Senhor de Todos os Seres”. É filho do Senhor Shiva, a “Realidade Suprema”, e de Parvati, a “Mãe do Cosmos”. Seus sinais sobre a testa representam as três dimensões: a região inferior, a Terra e o Paraíso. Suas orelhas simbolizam a grande sapiência da educação espiritual. Seus olhos enxergam além da dualidade, o espírito de Deus em cada um. Sua tromba indica capacidade intelectiva. Suas presas representam os mundos material e espiritual, negativo e positivo, Yin e Yang, forte e fraco. Sua enorme barriga indica capacidade de “ingerir” qualquer experiência, representando também a abundância. Seus braços representam os quatro atributos do corpo: mente, corpo, intelecto e consciência. Em sua mão direita (acima) carrega uma machadinha, que decepa os apegos do mundo material; na outra (abaixo), o sinal do OM, que abençoa com prosperidade e destemor; na mão esquerda (acima), o laço significa a fertilidade, a própria natureza; na outra (abaixo), gadu, um doce feito de grão-de-bico com açúcar granulado ou doce-de-leite com arroz, que representa a satisfação e a plenitude do conhecimento. O rato significa que devemos ser astutos e diligentes em nossas ações. A serpente é o símbolo da energia física, guardiã dos segredos da Terra. Assim, Ganesha é o Mestre do Conhecimento, da Inteligência e da Sapiência. É aquele que proporciona a potência espiritual e a inteligência suprema. É o grande Removedor dos obstáculos, Guardião da Riqueza, da Beleza, da Saúde, do Sucesso, da Prosperidade, da Graça, da Compaixão, da Força e do Equilíbrio.
 Shiva
Conhecido como MAHADEVA, o supremo dos deuses, um dos três principais deuses do panteão hindu, SHIVA, é o deus da renovação. Às vezes ele é visto como NATARAJA – o deus das artes e das danças, o dançarino cósmico, bem como o senhor das artes marciais e o protetor dos animais. Numa de suas mãos ele carrega um pequeno tambor que anuncia a criação e noutra, o fogo da renovação. Sua mão estendida representa sua força superior, e o pé levantado simboliza a liberação. Ele dança sobre um demônio que representa a escuridão e o mal, estando assim, acima da ignorância e de todo mal, e em seu braço direito há uma serpente demonstrando que SHIVA domina todas as riquezas naturais. As lendas dizem que o rio Ganges nasce de sua cabeça. SHIVA é o controlador de toda a ira e é conhecido por sua imensa benevolência e misericórdia, concedendo-a a todos muito facilmente. Às vezes ele é encontrado num estado de meditação, demonstrando que é o deus da Yoga.
SHIVA é o senhor de DURGA (PARVATI) – a deusa da natureza material – e é transcendental a qualquer desejo ou ilusão material . Ele é o pai de Ganesha – o deus da boa sorte e prosperidade. De acordo com as escrituras Védicas, SHIVA é o símbolo máximo da potência masculina. Em seu planeta, na montanha KAILASA, existem apenas entes femininos, e quem quer que pise na terra dele, imediatamente se transforma em mulher. SHIVA possui um terceiro olho que sempre permanece fechado, pois no momento em que abri-lo, toda a criação será incinerada pelo calor abrasivo do fogo da renovação. Dizem os orientais que SHIVA protege a casa dos seus seguidores de todos os tipos de males.
O Terceiro Olho, fonte da percepção “O terceiro olho é o olho da superconsciência, a qual é percebida além do plano comum de percepção”.
Um símbolo indiano que freqüentemente embaraça muito o Ocidente é o terceiro olho. Um número de deidades Hindus, em particular Shiva, o transformador cósmico através da dança da destruição, e sua esposa Durga (ou Parvati, ou ainda Uma) são portadores desta iconografia, possuindo um terceiro olho no centro de suas testas. De fato, merecidamente este é um símbolo que representa a capacidade humana da consciência, para ver além do óbvio perceptível, além do exteriormente visível e tangível; para alcançar o interior da origem da vida a qual é a fonte de energia divina e poder. Este símbolo também diz que todos os seres humanos que usam seu poder de descriminação podem, no silencia do seu ser interior, ver o santuário da verdade e da pureza. Apesar deste significado profundamente metafísico o símbolo do terceiro olho de forma equivocada é muitas vezes visto como sendo o poder da destruição.
 Parvati
Entre todas as Devis (semideusas), associadas com Shiva, Parvati guarda a mais alta eminência. De acordo com os aspectos da cosmologia védica, Parvati é uma reencarnação de Sati Devi. Sati foi a filha do sábio Daksha, que não aprovou a escolha de Shiva como marido dela. Daksha organizou em grande sacrifício de fogo para todos os deuses, exceto para Shiva. Deste modo, Sati foi então humilhada pelo tratamento do pai a Shiva, imolando-se a si mesma, dando início a sinistra prática da esposa ir para a fogueira junto com o marido. Enfurecido, Shiva, transformado num demônio gigante, e destruidor do sacrifício, cortou fora a cabeça de Daksha, que caiu dentro do sacrifício de fogo. Arrependido de sua ação, Shiva colocou na cabeça de Daksha a cabeça da cabra do sacrifício. Sati reencarnou como Parvati, a filha do Himalaia, a montanha deusa. Apaixonando-se por Shiva, ela praticou severas austeridades por muitos anos, e finalmente ganhou a atenção de Shiva e casou-se. Shiva e Parvati possuem dois filhos, Ganesha e Skanda. Junto com Parvati, ou com uma ou outra encarnação como Kali ou Shakti, Shiva simboliza a perfeita união e a reconciliação dos pares de opostos.
Brahma Apesar de Brahma ser um poderoso deus Hindu, o criador do mundo material, ele é subestimado pelos cultos populares de Shiva, Vishnu e Devi. Os templos dedicados ao Senhor Brahma são raros, e Ele é muito pouco adorado nos dias de hoje. Parcialmente, isso se deve a natureza abstrata de suas características, como a personificação da essência todo-penetrante do universo, Brahman. Como dissemos, ele é o deus criador. Dele saíram os Vedas bem como os primeiros seres humanos e os protetores como Prajapati. Usualmente ele é mostrado como quatro cabeças, as quais cada uma ditou um dos Vedas, que ele carrega em suas mãos. Muitas vezes o Senhor Brahma é retratado como sendo um homem velho, com barbas brancas. A divina consorte de Brahma é Saraswati, que algumas vezes é descrita como sendo a sua filha, e ela está sentada por sobre um cisne.
 Saraswati Saraswati é uma antiga deidade retratada nos Vedas. Ela está identificada como o rio que leva o seu nome. Os estudiosos identificam o seu nome como sendo a responsável pela tradição oral dos ensinamentos, e nos Vedas ela é retratada como a mais importante deidade desta natureza. Durante o período Purânico, Saraswati aparece como a consorte do Senhor Brahma, sendo a deusa da música, do conhecimento e da poesia. Ela está por sobre um cisne, e toca uma Vina (um instrumento de cordas indiano). Nas suas outras mãos ela tem um Mala (rosário de contas) e os Vedas.
 Hanuman
Hanuman é o fiel amigo de Rama, no Ramayana. Ele é o general do exército dos macacos, que vieram no auxilio de Rama e Lakshmana na Guerra contra o demônio Ravana, que seqüestrou Sita, a esposa de Rama. Durante a batalha com Ravana. Lakshmana foi fulminado por armas envenenadas. Apenas um antídoto de uma planta, que podia ser encontrada no monte Mahudaya poderia salvá-lo. Hanuman viajou para buscar esta planta, mas não a conhecia, e, portanto, não sabia qual pegar. Por isso, ele trouxe toda a montanha para próximo de Lakshmana. Hanuman é um devoto perfeito. Ele é totalmente devotado ao Senhor Rama, a tal ponto do nome de Rama estar escrito no seu coração.
 Rama Rama é a sétima encarnação de Vishnu nesta era de Manu. Rama é o príncipe herói do famoso épico Hindu, O Ramayana. As proezas de Rama, seu irmão Lakshmana, sua esposa Sita, e o seu fiel amigo Hanuman são muito bem conhecidos, e suas histórias populares não apenas da Índia, mas em outros locais onde o Hinduísmo se espalhou, e, mais notadamente, em Bali. O Ramayana é recontado em revistas em quadrinhos, jogos, filmes, e shows na televisão. Rama é o ideal da justiça.
 KALI é a personificação da impiedosa fúria feminina e sempre deixa um rastro de destruição por onde passa.Ela é chamada de KALI, pois tem o corpo negro, seu rosto é vermelho e carrega uma espada invencível. Seu cabelo é longo e totalmente desalinhado e pode ser vista nua, indicando sua liberdade e independência.Ela tem olhos sedentos de sangue, uma boca com dentes grandes e afiados, mostrando sua enorme língua. Ela tem um colar com 50 cabeças humanas decepadas, representando as letras do alfabeto Sânscrito, seus brincos são corpos de anjos, indicando que Ela está acima da luxúria. Ela tem cobras enroladas em seus vários braços e no pescoço que são usadas como armas para matar suas vítimas.
Às vezes KALI é vista dançando em cima de SHIVA como uma furiosa guerreira num campo de batalha matando seus adversários e tomando-lhes o sangue. Dessa forma, demonstra a todos que até mesmo SHIVA é sobrepujado por sua fúria. Seus braços estão fazendo diferentes MUDRAS - posições que dizem para não ter medo, pois ela é a mais querida e doce Mãe. Como Deusa da Morte, ela controla o poder do Tempo que tudo devora. Logo após as batalhas Ela começa sua eufórica dança da vitória. Com esta dança todos os mundos tremem sob o tremendo impacto de seus passos. Existe uma famosa história sobre um rei santo que foi seqüestrado por um bando de ladrões para ser oferecido num sacrifício de sangue num templo de KALI. No entanto, KALI surgiu furiosa de dentro de uma de suas estátuas com sua hoste de fantasmas e demônios e pôde perceber as enormes virtudes desse rei santo. KALI então matou o líder dos ladrões e seu bando, provando que aqueles que têm boas qualidades são protegidos por Ela. As escrituras Védicas contam que quando os guerreiros vão para a luta costumam invocar o nome de KALI para o sucesso contra os inimigos nas batalhas.
 A deusa da fortuna, fonte de toda a fartura, beleza e saúde neste universo. Ela é a esposa de Vishnu – o sustentador do Universo, Lakshmi; é o principal símbolo da potência feminina, e pode ser reconhecida por sua eterna juventude e formosura.Ela sempre pode ser vista sentada sobre uma flor de lótus ou portando nas mãos flores de lótus, e um cântaro que jorra moedas de ouro. As lendas dizem que ela surgiu de uma colossal tarefa cósmica entre os principais líderes do bem e do mal, e quando ela apareceu, todas as grandes personalidades presentes perderam a compostura, devido a sua enorme refulgência atrativa e ofereceram tudo que tinham de melhor para tentar conquista-la. No entanto, Lakshmi examinou minuciosamente cada um deles e não pode encontrar nenhum naturalmente dotado com todas as boas qualidades. Assim, como ninguém era internamente desprovido de imperfeições, ela preferiu Vishnu como seu esposo, que está além da matéria, e, portanto livre de defeitos. Geralmente, atribui-se também a Lakshmi o símbolo da Suástica, que representa vitória, sucesso, riqueza, beleza e fartura.
 Conhecido também como TEJUS, SAVITA, E VIVASVAN, o Sol é tido como o olho de Deus, o rei de todos, e o calculo do tempo eterno é feito a partir de seus movimentos. Ele simboliza a vida e vivifica todos os seres com calor e luz ilimitados, controla o dia, e no oriente os YOGUES praticam o SURYA NAMASKAR – o cumprimento ao deus do sol – logo ao nascer dos primeiros raios solares. O JYOTIR VEDA – um antigo tratado sobre astronomia – informa que o deus do Sol está numa colossal carruagem puxada por sete magníficos cavalos que circundam a montanha SUMERU, onde moram os principais deuses, e que seis meses por ano ele passa no lado norte dessa montanha, seis meses do lado sul, fazendo assim as estações de inverno e verão.Uma lenda conta que no início da criação existiu um rei cujos poderes se equiparavam aos do Deus do Sol, e que esse rei, não satisfeito com as mudanças climáticas das estações, decidiu iluminar o lado da montanha onde o Deus do Sol não estava. Após essa fenomenal tarefa, o rei saiu de trás do Sol, e dos sulcos formados pelas rodas de sua carruagem formaram-se os diferentes sistemas planetários. No oriente dizem que todas as pessoas que amam a vida devem adorar o Sol.
 Swástika – o símbolo do Deus Sol
“O Swástika é desenhado de várias maneiras. A mais comum é a representação primaveril do Sol, com seus braços em torno de um ângulo reto”.
Os primeiros Aryanos olharam para o Sol como sendo a origem da energia da vida. De fato, tudo o que vive na Terra deve-se à presença do Sol. Eles representaram o Sol numa deidade dourada, chamada de Surya, o Deus Sol, que dirige uma carruagem dourada com sete cavalos. Eles esculpiram, de modo primoroso, templos para venerá-lo. Um símbolo especial para visualizá-lo, e que representa a energia do Sol, é o Swástika. Os Hindus desenham a suástica em vermelho sobre documentos de negócios e nas roupas da noiva para uma boa sorte. Eles também a desenham nos muros e soleira da porta de suas casas para dar energia ao ambiente. Naturalmente ligada com o brilho do ouro, a suástica é como um medalhão esperando uma corrente de ouro – um talismã que protege da escuridão, desespero e perigo. Apalavra Swástika significa “tudo-bem”. Na sua forma curta “swásti”, é comumente usada em todos os sacramentos e cantos cerimoniais. A figura deste símbolo foi criada a partir dos quatro pontos cardeais, nos quais as varinhas são colocadas para dar início aos sacrifícios de fogo védicos. A suástica é um símbolo muito antigo, que foi encontrado em civilizações como a grega, egípcia e chinesa. Utilizado na adoração da serpente ele é visto no cabelo das representações. O Auspicioso sinal do swástika é, no mais das vezes, dedicado para o Sol da primavera.
 Krishna Krishna é a forma mais popular dos adoradores de Vishnu, sendo adorado pelos chamados Vaishnavas, na linha do Bhakti-Yoga. Seu nome significa, entre tantos significados, “alguém escuro" (como a nuvem de chuva), e "o todo atrativo", sendo usualmente retratado na Sua cor azulada. Na realidade, suas origens datam dos tempos pré-védicos, sendo que na Índia Ele é, além de Deus, um herói local que age em defesa dos bons e devotos.. Krishna é Purna Avatara, ou seja, um Avatara que tem todas as qualidades possíveis de Vishnu. As principais coleções de histórias que envolvem Krishna estão na Sua infância, adolescência e idade adulta, retratadas no Srimad-Bhagavatam.Como vaqueiro, Sua dança com as Gopis (vaqueirinhas), e Sua consorte Radha. Na época do Mahabharata Ele aliou-se aos Pandavas. Ele deu instruções para o Seu primo Arjuna no Bhagavad Gita, uma vez que este estava relutante em realizar as suas obrigações na guerra. O amor que há entre Radha e Krishna é considerado o amor ideal entre os devotos e Ele.
OBRIGADO A KUAN YIN, DO PORTAL DO SOL DOS ILUMINADOS: http://www.sol.com.br/iluminados.htm |
posted by Motoko Aramaki @ 1:13 PM   |
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| Reencarnação |
| Sexta-feira, Março 27, 2009 |

Tal como um homem que lançou fora roupas usadas e veste outras novas, também assim o habitador do corpo, após ter abandonado os seus invólucros mortais antigos entra em outros que são novos. Bhagavad-Gitâ (II, 22) O grande mistério da vida e os seus numerosos problemas defrontam todo o ser humano e premem cada vez mais sobre as mentes dos homens à medida que cresce a inteligência e que a complexidade da existência se torna cada vez mais evidente. Diante da necessidade instante de uma solução, e para atender ao pedido insistente de luz, muitas panaceias foram oferecidas, nenhuma das quais, infelizmente, trouxe a certeza daquelas verdades evidentes que jazem à raíz de todo o pecado, de toda a angústia e de todo o sofrimento, e tão pouco trouxe um verdadeiro esclarecimento e um verdadeiro progresso. Houve tempos em que estas questões foram deixadas ao cuidado daqueles que se arrogavam o titulo de instrutores religiosos, mas cuja inaptidão a resolver problemas relacionados muito directamente com a existência humana, no entanto, despertou a alma humana ao ponto em que esta sentiu a necessidade de "buscar e achar" por ela mesma uma solução ao enigma da vida. A questão da "Autoridade" tem sido, durante séculos, um peso paralizante sobre a alma em busca, mas agora muitas mentes estão acordando ao facto que qualquer conhecimento que se queira obter, este tem que ser adquirido por cada um para si mesmo. A mais, o Conhecimento verdadeiro deve abranger uma justiça infalível, apresentar o ideal da progressão humana e esclarecer a causa das dores deste mundo. Nesta busca, é evidente que cada um deve ser a sua própria autoridade para decidir o que aceita ou rejeita; ele deve, portanto, fazer uso de toda a sua inteligência a fim de examinar e testar tudo o que aponta o caminho para o conhecimento de si. É com esta postura mental, livre de preconceitos e de idéias preconcebidas, que ele avaliará cada doutrina baseando-se nos próprios méritos desta, para depois aceitá-la ou rejeitá-la. A palavra "Reencarnação" significa que a nossa vida presente resulta de vidas anteriores, e que a nossa vida futura estará de acordo com as que já vivemos e a maneira como estamos agora vivendo. Embora para muita gente tal idéia possa ser nova, ela é tão luminosa que, se fôr associada à doutrina-irmã, Karma, ela resolve plenamente aqueles problemas da vida que nos deixam perplexos. A Reencarnação, ou reincorporação, é vista como o processo pelo qual todos os graus da inteligência se expressam através de formas, ou corpos, e assim constituem o mundo visível onde vivemos. A evolução das formas é efectuada pela expansão da inteligência residente no interior, que requer um instrumento melhor para a sua compreensão crescente. Tudo na natureza mostra os esforços repetidos neste sentido, com intervalos periódicos de repouso, entre os quais é assimilada a experiência adquirida que serve de base para um novo esforço. Ao dia sucede a noite, seguida por um outro dia; as estações, Primavera, Verão, Outono e Inverno, são seguidas invariavelmente por outras séries na mesma ordem. E o Homem, submetido à mesma Lei universal, e portanto espiritual, vai seguindo fielmente as flutuações de nascimento, juventude, maturidade, velhice e morte, para renascer com um corpo novo, moldado talvez para um desígnio melhor do que foi possível no corpo anterior. A doutrina da Reencarnação supõe uma Inteligência pré-existente que permanece e se expande através de todas as mudanças de incorporação. As variações de forma são apenas um meio para alcançar a grande meta e o desígnio do Homem inteligente interior –a aquisição daquilo que os Antigos chamavam Todo-Conhecimento. Os homens, em geral, aceitam a Evolução como uma lei provada de crescimento, evidenciada pelas mudanças observadas nas formas fisicas e nas espécies; porém, esta vista geral considera apenas a evidência externa da operação, sem nenhuma compreensão da sua causa motora. A palavra "Evolução" significa um desenvolvimento de dentro para fora e, não fossem os nossos Cientistas tão materialmente orientados, eles poderiam ter alcançado o conhecimento da verdade há muito tempo. As doutrinas teosóficas de Karma e de Reencarnação tornam clara a operação da Evolução, levando-a ao seu nível mais alto ao mostrar que a força de impulsão por trás de toda a evolução das formas é a Inteligência, que evolui, ela também, para cada vez mais alto pelo meio de formas temporárias de expressão. A objecção mais frequentemente feita à Reencarnação é a seguinte: se já vivemos antes, porque é que não nos lembramos disso? Na realidade, a lembrança de uma vida passada não é necessária para provar que passamos por esta experiência. Nós esquecemo-nos da maior parte das ocorrências desta vida, poucos de nós sendo capazes de se recordar exactamente dos pormenores de apenas um dia. Uma cicatriz pode ser o único vestígio da nossa primeira infância, sem nos lembrarmos do ferimento que a causou. Assim mesmo, embora conservemos só alguns detalhes no cérebro, o efeito dos acontecimentos permanece e forma o nosso carácter. Pode dizer-se que o carácter é uma memória composta por ser a soma e a essência de tudo por que passamos. Durante o sono, que ocupa um terço da vida humana, também não nos lembramos de nada; não imaginamos porém que por causa disso deixamos de estar vivos durante esse período. Há um sentimento de identidade que transpõe esse intervalo, como também sucede numa perda de consciência (por desmaio ou anestesia); ao voltarmos ao nosso estado normal, sabemos que somos o mesmo indivíduo que existia antes. Se a identidade dependesse da rememoração, teríamos de recomeçar tudo todos os dias. Experiências no campo do hipnotismo mostram que os mais pequenos acontecimentos da vida ficam registados no que os psicólogos chamam o subconsciente, provando desta maneira que a recordação deles não se perde. Todos os pormenores de uma vida aparecem num instante diante dos olhos de quem está a afogar-se, como também cada circunstância do passado ressurge na mente, exactamente antes da morte. Assim, de facto, toda aquela quantidade de detalhes de uma existência fica conservada no homem interior para ser inteiramente recobrada numa incarnação futura, quando a evolução do homem o permitir. Aliás, mesmo hoje muitas pessoas lembram-se de terem vivido antes, poetas cantaram-no, crianças sabem-no bem até que a constante convivência com os que não acreditam acaba por apagar as suas recordações. No entanto, como não tomou parte na vida anterior, o nosso cérebro é geralmente incapaz de deixar filtrar a memória do passado; e é muito bom que seja assim, pois sernos-ia muito penoso se as acções e as cenas das nossas vidas anteriores não permanecessem ocultas, até ao dia em que, através da disciplina, nós sêjamos capazes de suportar o seu conhecimento. Ao vivermos de acordo com os preceitos da alma, o nosso cérebro tornar-se-à permeável às suas reminiscências, e então as nossas vidas passadas serão para nós um livro aberto. Uma outra objecção à Reencarnação provêm duma concepção errónea da verdadeira natureza do homem. Certas pessoas dizem não desejarem ser alguém de diferente numa outra vida, visto não poderem então reconhecer os seus amigos, uma vez que tanto eles como os amigos teriam mudado de personalidade. Ora, se a Reencarnação é uma lei, os nossos gostos e aversões não contam; de qualquer modo, numa outra vida, nós não seremos "alguém de diferente" mas o mesmo indivíduo que já viveu, apenas num fato diferente. Se fôr o corpo do nosso amigo que nós amamos, é verdade que não podemos esperar revê-lo numa vida futura; mas a não ser que sejamos grosseiramente materialistas, é pela alma do amigo que nos sentiremos atraídos. Portanto, se a alma que amamos passou a habitar um outro invólucro físico, a lei requer que, uma vez de novo reencarnados, nós reencontremos a mesma alma em sua nova morada, embora raramente a reconheçamos. Porém, o efeito sobre nós destas afinidades passadas é enorme. Ora nos salva, ora nos condena. Porque nós podemos encontrar nas nossas vidas alguém que exerça uma notável influência sobre nós, para o bem ou para o mal, por causa das afinidades geradas em vidas passadas. Há quem afirme que a hereditariedade invalida a reencarnação. Nós incitamos a utilizá-la como uma prova. Em primeiro lugar, temos que ver que, sendo a Inteligência que se reencarna imortal, ela pré-existia antes do nascimento de cada um dos seus corpos físicos. Nós pensamos que a imortalidade tem apenas uma ponta. Em outras palavras, que vivemos, de hoje em diante, para sempre; mas imortalidade quer dizer sem princípio como também sem fim. Portanto, os pais não dão ao filho uma alma –ele é já uma alma, eles apenas fornecem um novo corpo à alma prestes a chegar. A criança traz consigo aquelas qualidades de alma, aquela inteligência e aquelas tendências que desenvolveu ao longo das suas numerosas precedentes existências na terra. Por conseguinte, ela só pode vir para uma família com características semelhantes e que possa oferecer-lhe uma oportunidade de continuar a sua evolução, por razões vinculadas nas incarnações passadas ligadas a esta família, e por causas mútuamente geradas. Isto explica como pais actualmente bons podem ter um filho mau, porque pais e filho estavam indissolúvelmente ligados por acções passadas. É uma oportunidade de redenção para a criança e uma ocasião de castigo para os pais. Assim, enquanto a hereditariedade é a regra natural que governa os corpos, quando consideramos os carácteres utilizando estes corpos, constatamos grandes diferenças inerentes. Daí termos que concluir que a transmissão dos traços físicos e das particularidades mentais (quando ocorrerem) não refuta a Reencarnação, visto tais transmissões serem exactamente o modo escolhido para proporcionar à inteligência que se incarna o instrumento adequado e o meio ambiente nos quais ela possa continuar o seu trabalho. De novo, os que persistem na objecção à Reencarnação baseando-se na hereditariedade acentuam as semelhanças e não notam as divergências. Cada mãe sabe que as crianças duma família são tão diferentes como os dedos de uma mão –embora sejam todas dos mesmos pais, cada uma distingue se das outras pelo carácter e pela capacidade. O aparecimento de génios e de grandes inteligências em famílias desprovidas destas qualidades, assim como a extinção, numa familia, do génio dum antepassado, sómente podem ser explicados pela lei do renascimento. Napoleão nasceu numa família que nada tinha em comum com ele, quanto ao poder ou à força. Ele mesmo declarou ter sido Carlos Magno. Só presumindo que ele tinha tido uma longa série de vidas dando-lhe uma linha justa de evolução, ou causa para o desenvolvimento da sua intelligência e natureza, podemos ter a mais pequena idéia porque é que ele, ou qualquer outro génio, puderam aparecer. Mais notável ainda foi o caso de Blind Tom, um negro cuja família não podia ter tido conhecimento do piano, instrumento moderno, de modo a transmitir esse conhecimento aos átomos de seu corpo; no entanto, ele tinha um grande dom musical e conhecia a actual escala musical do piano, mostrando que existia dentro deste corpo uma Inteligência dotada de um desenvolvimento musical superior. No caso do músico Bach, temos a prova que a hereditariedade não conta para nada se o Ego interior não fôr já avançado, visto o seu génio não se ter transmitido à linhagem familial; este génio foi esvanecendo-se e finalmente abandonou-a completamente. Do mesmo modo, houve raças que alcançaram um alto grau de poder e de glória, e depois decaíram. A grandeza de qualquer raça é devida à inteligência das almas nela incarnadas; e quando estas almas adquirirem toda a experiência possível naquela raça particular, elas abandonam-na para incarnar numa outra. A economia da natureza não permite que a raça física, exterior, desapareça repentinamente; assim, na ordem da evolução, outros Egos menos avançados tomam posse e usam esses corpos disponíveis. Estes Egos inferiores não são capazes de se manter ao nível dos seus predecessores e, embora cada nova geração adquira o máximo possível de experiência, dá-se um declínio gradual e aquela raça, com o passar do tempo, acaba por extinguir-se. Os ignorantes e degradados Coptas do Egipto são tais Egos inferiores incarnando-se numa raça que uma vez foi a glória do mundo, enquanto os Egos que criaram aquela civilização avançada reencarnaram-se nas nações da Europa e da América. A existência dos selvagens explica-se da mesma forma; eles são os sobreviventes de uma raça moribunda no período de declínio desta raça, a qual corresponde ao seu grau de evolução. Um processo semelhante ocorre nas nossas cidades modernas. Os habitantes de uma área, outrora favorecida, mudam-se para um novo bairro, deixando as suas casas para outros menos abastados. Estes também partem depois dum certo tempo, uma classe ainda mais pobre vem instalar-se e assim por diante, até que as casas, vítimas de um uso prolongado e de descuido, se desmoronem e acabem em ruínas. Os pensamentos e os actos colectivos das Inteligências que constituem uma nação também acarretam guerras, epidemias, fomes e até cataclismos naturais que se abatem depois sobre ela. Esta é a única explicação das guerras periódicas na Europa. A pretensa causa era meramente a oportunidade para que as forças invisíveis acumuladas pelos Egos envolvidos no conflito se desencadeassem. Estes Egos haviam, há muito tempo atrás, em outras civilizações, gerado as causas cujos efeitos destruidores tinham que ser enfrentados agora. E os Egos continuarão a reencarnarem-se até que todas as ofensas e todos os ódios estejam ajustados e erradicados, qualquer que seja a duração de tempo para que tal período de ventura advenha. Vemos assim como, talvez num futuro próximo, outras guerras possam ocorrer, pois outros Egos, que geraram causas semelhantes àquelas que ocasionaram a última guerra, reencarnarão juntos e terão que resolver as suas contendas. A maneira como estas disputas serão solucionadas dependerá do esclarecimento mental dos adversários e também do exemplo dado por nós. A história tende a repetir-se, e se pudéssemos criar uma linha de conduta individual e nacional baseada na justiça e na consideração mútua, prestaríamos o maior serviço possível à posteridade, porque princípios certos e acção correcta constituem para o desenvolvimento nacional um alicerce mais seguro que a prosperidade comercial, a qual, sem aqueles princípios e acções, só estimula a ambição egoísta e a cobiça. Devemos lembrar-nos também que estamos a construir um futuro no qual nós próprios vamos tomar parte, pois tal como hoje somos herdeiros do nosso passado, havemos um dia de voltar ao palco como herdeiros deste presente e recebermos o produto das nossas acções actuais. Portanto, cada indivíduo pertencente a uma raça ou a uma nação está avisado que se ele se deixar levar pela indiferença de pensamento e de acção, amoldando-se deste modo ao comportamento mediano geral da sua raça ou nação, o karma da raça ou da nação o arrastará no fim para o destino geral. É por isso que os antigos Mestres clamavam: "Saiam das fileiras e não sigam a multidão." A Reencarnação não significa que assumiremos formas animais depois da morte. "Uma vez homem, sempre homem": a evolução, depois de ter colocado o Pensador imortal neste plano, não pode mandá-lo de volta ao reino animal. Pois assim como as válvulas impedem o sangue de refluir e de enfartar o coração, também assim, neste grande sistema de circulação universal, a porta fecha-se atrás do Pensador, impedindo o seu retrocesso. A objecção feita pelos cristãos à Reencarnação baseia-se geralmente na suposição que não teria sido ensinada por Jesus. Eles esquecem que Jesus era um judeu cuja missão , segundo ele mesmo declarou, se destinava a esse povo. Ora, os judeus sempre acreditaram neste ensinamento, e Jesus devia portanto conhecê-lo bem. Sempre que um cristão assumido o nega, ele contradiz Jesus que o afirmou em diversas ocasiões. Naquele tempo, o povo esperava o regresso à terra de numerosos profetas e condutores de homens, entre os quais Moisés e Elias, e todos aguardavam a sua reaparição, de tempos a tempos. Isto explica porque é que Jesus respondeu aos discípulos que vinham anunciar-lhe a morte de João Baptista, que Herodes mandara matar João sem saber que ele era Elias, "que estava para chegar". Numa outra ocasião, relatada em Mateus (XVII, 12), Jesus declarou: "Elias já veio, e eles não o reconheceram." Quando um homem cego de nascença foi levado ao Mestre, os discípulos perguntaram-lhe qual era o motivo de tal castigo, se tinha sido ele quem havia pecado ou os seus pais, o que supõe uma crença comum na doutrina da Reencarnação; pois, sendo certo que um recém-nascido não pode ter pecado, o pecado só pode ter sido cometido antes do nascimento no qual a cegueira ocorreu. Se o ensinamento estava errado, então era a altura para Jesus contestá-lo e rejeitá-lo definitivamente; ele eludiu a pergunta, mas não refutou a doutrina. Em Provérbios (VIII, 22), Salomão diz que quando a terra foi criada, ele estava presente, e que muito tempo antes de ele ter podido nascer como Salomão, ele deleitava-se na companhia dos filhos dos homens nas partes habitáveis da terra. Na sua Epístola aos Romanos (IX, 11-13), São Paulo refere-se a Jacob e Esaú, dizendo que o Senhor amara um e odiara o outro antes de eles nascerem. Evidentemente, o Senhor não pode amar algo inexistente, o que significa que Jacob e Esaú tinham sido respectivamente bom e mau nas suas vidas anteriores, e que por isso o Senhor –Karma– amava um e odiava o outro antes de eles terem nascido como Jacob e Esaú. São João, em Apocalipse (III, 12), diz que aquele que vencerá "nunca mais irá para fora". Isto não passa de pura retórica se a Reencarnação for negada, mas faz plenamente sentido se a compreendermos como significando que o homem que finalmente logrou dominar as ilusões da matéria não terá mais a necessidade de se reencarnar. Depois dos discípulos seguiram-se os primeiros Padres da Igreja, entre os quais Orígenes, que ensinava a doutrina da Reencarnação. Devido à sua crescente influência, alguns Padres ignorantes sentiram inveja e, em 553, no Concílio de Constantinopla, anatematizaram a doutrina ensinada por ele como sendo perniciosa. Foi assim que a doutrina se perdeu para o mundo ocidental. Considerando a vida e a sua meta evidente, com todas as experiências possíveis para o homem, somos forçados a chegar à conclusão que uma só existência não é suficiente para cumprir tudo o que foi planejado pela natureza, sem mencionar o que o próprio homem deseja realizar. No homem há uma vasta gama de poderes latentes que podem ser desenvolvidos com tempo e oportunidades. Um conhecimento de alcance infinito abre-se diante dele. Nutrimos altas aspirações sem termos o tempo necessário para realizá-las plenamente, enquanto a multidão de paixões e de desejos, de motivações e de ambições egoístas lutam contra nós e entre eles, perseguindo-nos até ao portal da morte. Tudo isso tem que ser subjugado e utilizado. O simples facto de morrer não pode eliminar os nossos defeitos, nem trazer-nos conhecimento. Se acreditarmos que todo o conhecimento e toda a pureza nos serão dados ao entrarmos no Céu, estaremos depreciando este estado ao mais baixo ponto e privando a vida de todo o sentido. A Reencarnação é "o elo perdido do cristianismo", pois é nela e em Karma, sua doutrina-irmã, que está a resposta para todos os problemas da vida. Nestes dois ensinamentos essenciais reside a força capaz de levar os homens a aplicar de facto a ética que só possuem em teoria. O impulso em direcção a uma conduta recta não deve basear-se num simples sentimento ou fé, mas sim em leis obrando universalmente e sendo incontornáveis. O Karma e a Reencarnação apontam concludentemente para a própria responsabilidade do homem pelas condições nas quais ele se encontra. Isto é totalmente contrário à irresponsabilidade inculcada pelos teólogos cristãos. Eles ensinam que somos seres inerentemente fracos e pecadores, incapazes de fazer algo por nós mesmos, mas que os nossos pecados serão perdoados se acreditarmos que o Cristo morreu por nós. Se realmente fosse assim, tal procedimento seria contrário à justiça. O facto de nós agora tentarmos esquivar os efeitos das nossas acções passadas é devido, em boa parte, ao aceitarmos certas doutrinas cristãs que são interpretações erradas dos ensinamentos de Jesus. O desassossego actual é por conseguinte o culminar de séculos de concepções materialistas baseadas na crença que há só uma vida na terra. Esta idéia gerou a ferocidade da luta pela vida, com todo o seu egoísmo e sofrimento. A palavra "justiça" pouco significa para a humanidade, visto os homens terem perdido a percepção da Lei Imutável, que não pode ser contornada. Embora o seu modo de agir manifeste aquilo que os homens, na sua cegueira, denominam injustiça, é bem a Divina Lei da Justiça, que restaura o equilíbrio perturbado pela ignorância e o egoísmo humanos. Isto é KARMA. Embora estas doutrinas pareçam severas e implacáveis, elas não deixam de nos trazer algum encorajamento. A Reencarnação dá ao homem a oportunidade de tentar, e voltar a tentar, dando-lhe a certeza que "cada tentativa sincera terá, a seu tempo, a sua recompensa". Por isso, os que desesperam nos lugares sombrios da terra podem encher-se de coragem, e os que estão perplexos, cheios de dúvidas, que saibam que todas as dificuldades têm solução. A mãe que perdeu um filho, a esposa, ou o marido, que ficaram sós e desamparados, podem consolar-se pois eles encontrarão de novo o ente querido e retomarão os fios quebrados do afecto, para com eles tecerem uma tela nova e mais bela. Assim nestes ensinamentos da Antiga Sabedoria o coração encontrará contentamento, e o intelecto o seu maior alcance. Tradução: Francisco da Silva |
posted by Motoko Aramaki @ 2:37 PM   |
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